sábado, 22 de agosto de 2009

Cora Coralina


Cora Coralina, Aninha da Ponte da Lapa ou Ana Lins de Guimarães Peixoto Bretãs, pode chamar que a Poeta atende, poeta natural ,original poeta das coisas e do chão que viveu.

Publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. Ficou famosa principalmente quando suas obras chegaram até as mãos de Carlos Drummond de Andrade, quando ela tinha quase 90 anos de idade.

Nasceu no estado de Goiás (Goiás Velho) em 1889. Filha de Jacinta Luíza do Couto Brandão Peixoto e do Desembargador Francisco de Paula Lins dos Guimarães. Completou apenas o antigo primário e foi doceira por profissão e gosto.

Aos 14 anos já escrevia poemas sobre seu cotidiano, tendo criado, juntamente com duas amigas, em 1908, o jornal de poemas femininos "A Rosa". Aos 16 anos, em 1910, seu primeiro conto, "Tragédia na Roça", é publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás", já com o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911 conhece o advogado separado Cantídio Tolentino Brêtas, com quem foge. Vai para Jaboticabal (SP), onde nascem seus seis filhos.

Convidada, por Monteiro Lobato, a participar da Semana de Arte Moderna de 22, vê-se impedida por proibição do marido.

Em 1928 a família muda-se para São Paulo onde virá mais tarde a ser vendedora de livros da editora José Olimpio. Mesma Editora que em 1965, lança seu primeiro livro, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais".

Em 1976, é lançado "Meu Livro de Cordel", pela editora Cultura Goiana. Em 1980, Carlos Drummond de Andrade, como era de seu feitio, após ler alguns escritos da autora, manda-lhe uma carta elogiando seu trabalho, a qual, ao ser divulgada, desperta o interesse do público leitor e a faz ficar conhecida em todo o Brasil.

Aninha deixou publicados Estórias da Casa Velha da Ponte, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Os Meninos Verdes, Meu Livro de Cordel, O Tesouro da Velha Casa, Becos de Goiás (1977); e Vintém de cobre: meias confissões de Aninha (1983).

Foi a primeira mulher a ser agraciada com o Troféu Juca Pato em 1984, da União Brasileira de Escritores que a elegeu a Intelectual do Ano.

Quando completou 95 anos, ela disse: venho do século passado e trago comigo todas as idades do mundo.

Faleceu em 10 abril de 1985 em Goiânia.




Sintam a admiração de Carlos Drumond de Andrade pela Obra de Cora Coralina

"Minha querida amiga Cora Coralina: Seu "Vintém de Cobre" é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida! Aninha hoje não nos pertence. É patrimônio de nós todos, que nascemos no Brasil e amamos a poesia ( ...)."

De pedra foi o meu berço.
De pedras têm sido meus caminhos.
Meus versos: pedras quebradas no rolar
E no bater de tantas pedras.


Leiam também esse belo trecho de uma crônica de Xênia Antunes homenageando nossa poeta.

"... Eu sei que foi assim. Sei que a sua flor nasceu da pedra. Sei que da pedra vieram doces brancos, sob a forma de bichinhos, esbeltos cisnes. Sei que retirando as pedras ela descobriu a terra e que na terra suas mãos cumpriram a semeadura, o plantio, a colheita. E até alegraram-se quando dos bananais surgiram eternos confeitos adoçados.

Cora Coralina. Nossa Senhora Feminina, anti-imagem tanto de belle-époque, quanto de televisão-mulher, dona de hábeis e preciosas mãos: só o que lhes iguala é a morte. Suas mãos, pequeninas e frágeis para carregar pesados estandartes, mas que cavoucaram a terra, amassaram o trigo, varreram, cozinharam, lavaram. Mãos fortes que abençoaram filhos, mãos domésticas e remendonas, que escreveram estórias dos becos de Goiás e poemas do seu ventre de mulher..."

Ana Peixoto

Um comentário:

Claudia disse...

Parabéns pela analise sobre
Cora adorei