terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Desabafo de uma Mulher Moderna


São 7h. O despertador canta de galo e eu não tenho forças nem para atirá-lo contra a parede. Estou tão cansada, não queria ter que trabalhar hoje. Quero ficar em casa, cozinhando, ouvindo música,cantarolando, até. Se tivesse filhos, gastaria a manhã brincando com eles, se tivesse cachorro, passeando pelas redondezas. Aquário? Olhando os peixinhos nadarem. Espaço? Fazendo alongamento. Leite condensado? Brigadeiro... Tudo menos sair da cama, engatar uma primeira e colocar o cérebro pra funcionar. Gostaria de saber quem foi a mentecapta, a matriz das feministas que teve a infeliz idéia de reivindicar direitos à mulher e por quê ela fez isso conosco, que nascemos depois dela. Estava tudo tão bom no tempo das nossas avós, elas passavam o dia a bordar, trocar receitas com as amigas, ensinando-se mutuamente segredos de molhos e temperos, de remédios caseiros, lendo bons livros das bibliotecas dos maridos, decorando a casa, podando árvores, plantando flores, colhendo legumes das hortas, educando as crianças, freqüentando saraus, a vida era um grande curso de artesanato, medicina alternativa e culinária. Aí vem uma fulaninha qualquer que não gostava de sutiã nem tão pouco de espartilho, e contamina várias outras rebeldes inconseqüentes com idéias mirabolantes sobre "vamos conquistar o nosso espaço" Que espaço, minha filha? Você já tinha a casa inteira, o bairro todo, o mundo ao seus pés. Detinha o domínio completo sobre os homens, eles dependiam de você para comer, vestir, e se exibir para os amigos, que raio de direitos requerer? Agora eles estão aí, todos confusos, não sabem mais que papéis desempenhar na sociedade, fugindo de nós como o diabo foge da cruz. Essa brincadeira de vocês acabou é nos enchendo de deveres, isso sim. E nos lançando no calabouço da solteirice aguda. Antigamente, os casamentos duravam para sempre, tripla jornada era coisa do Bernard do vôlei - e olhe lá, porque naquela época não existia Bernard do vôlei. Por quê, me digam por quê um sexo que tinha tudo do bom e do melhor, que só precisava ser frágil, foi se meter a competir com o macharedo? Olha o tamanho do bíceps deles, e olha o tamanho do nosso. Tava na cara que isso não ia dar certo. Não agüento mais ser obrigada ao ritual diário de fazer escova, maquiar, passar hidratantes, escolher que roupa vestir, e que sapatos, acessórios usar, que perfume combina com meu humor, nem de ter que sair correndo, ficar engarrafada, correr risco de ser assaltada, morrer atropelada, passar o dia ereta na frente do co mputador, com o telefone no ouvido, resolvendo problemas. Somos fiscalizadas e cobradas por nós mesmas a estar sempre em forma, sem estrias, depiladas, sorridentes, cheirosas, unhas feitas, sem falar no currículo impecável, recheado de mestrados, doutorados, e especificações (uuuuufffffffaaaaa!!!!!!!)... Viramos super mulheres, continuamos a ganhar menos do que eles. Não era muito melhor ter ficado fazendo tricô na cadeira de balanço? Chega, eu quero alguém que pague as minhas contas, abra a porta para eu passar, puxe a cadeira para eu sentar, me mande flores com cartões cheios de poesia, faça serenatas na minha janela (ai, meu Deus, já são 7:30h, tenho que levantar!), e tem mais, que chegue do trabalho, sente no meu sofá, coloque os pés pra cima e diga "meu bem, me traz um café, por favor?" descobri que nasci para servir. Vocês pensam que eu tô ironizando? To falando sério! Estou abdicando do meu posto de mulher moderna... Troco pelo de Amélia, na boa. Alguém se habilita?(Autora Desconhecido)
Este texto não é de minha autoria, mas, por me identificar demais com ele, publiquei aqui no Blog. Mas eu assino embaixo! Talvez a primeira mulher feminista tenha sido um HOMEM. Sim, pois arquitetou tudo para que o homem continuasse a ser servido. Não é à toa que as mulheres saíram para trabalhar fora, mas eles não entraram nas casas para fazer o serviço delas. Isso é que foi golpe! Agora as mulheres PAGAM para aprender artesanato, a cozinhar... ou a Yoga para aliviar o stress. Afff...!

6 comentários:

Thaís Barbosa disse...

AHUhauHAUHuahHAUhuahuA
Mew! você é muito boa!

adorei!

Roseli Venancio Pedroso disse...

Menina! Não sou feminista, muito menos Amélia mas concordo com muitas das coisas nesse texto. O peso nas costas de uma mulher é muito grande. Mas, fazer o quê né? Maravilha!! Adorei!
Bjs

Leandro Ruiz disse...

É verdade... a cada dia que passa temos a nova super-mulher...
...uma mulher que luta entre o trabalho e casa, entre o stress do serviço e o acumulo da comodidade em seu lar, uma luta constante entre dois mundos paralelos, mas que faz parte deles a todos os momentos!
Parabéns pela postagem...
Leandro Ruiz

Luciana Klopper disse...

KKkkkkk desculpa, mas é bem verdade ... que liberdade e igualdade feminina é essa? Onde?

Renata disse...

Amei este texto, comenta tudo que penso. Adoravel seu blog jaque.

Amanda Zanqui disse...

Jake, adorei esse texto!!! E assino em baixo também, ele fala tudo. Mil beijos