sábado, 23 de janeiro de 2010

Jornalismo se alimenta da dor no Haiti


Trouxe hoje este artigo de Victor Martins que relata minuciosamente a relação do jornalismo com os sofridos haitianos.
O jornalismo é algo intenso e árduo. Vivemos da nossa dor e da dos outros. Nas últimas semanas, esse “estilo de vida” tem levantado o debate: onde está a linha que separa o jornalista do ser humano? A discussão já veio a tona em outras oportunidades mas, no Haiti, esse dilema deve perturbar os centenas de correspondentes a cada instante. Segundo relato do enviado do Correio Braziliense, Renato Alves, os repórteres não podem descer dos carros que são cercados pelos haitianos, sem violência, a pedir de tudo. Relatos de outros colegas e imagens da CNN mostram que, em alguns resgates, há mais jornalistas do que bombeiros e soldados. A escassez de tudo e o excesso de dor e mortos na ilha caribenha devem atrair mais pesadelos noturnos do que os habituais cadáveres da violência urbana e os gritos de seus familiares. Ainda assim, atualmente, o Haiti talvez seja um dos locais onde mais um jornalista queira estar. Ao mesmo tempo, para os correspondentes que observam todos os dias a multidão de  órfãos e esfomeados a vagar pelas ruas de Porto Príncipe, em meio às pilhas de corpos e tijolos, voltar da ilha deverá ser melhor do que ter ido para lá. Críticos já começaram a apontar dedos para o que pode ser um uso exagerado da calamidade que aflige o Haiti. Repórteres prestaram socorro às vítimas e, em algumas situações, ao vivo pela televisão. Com isso, vemos todos os dias jornalistas se equilibrando em um frágil muro que separa o que é sensacionalismo do que é humanitário. Ao fim dessa pauta, que deve durar meses, não só soldados terão se tornado heróis, a mídia também terá elevado o status de seus empregados. A grande questão é se é ou não heróico abandonar família e amigos, ir para uma terra distante, com pouca segurança, para reportar ao mundo o que ocorre lá. Há sim um pingo de heroísmo, ou mais que isso, nessas pessoas que deixaram suas casas para cobrir a tragédia haitiana. Se estando lá, elas puderem ajudar os necessitados e ainda assim cumprirem sua meta de reportar e aumentar a vendagem e a audiência, esses homens e mulheres devem sim ser considerados heróis pelas dificuldades que enfrentaram. Se perguntarem se foi sensacionalismo o que o repórter médico da CNN fez (uma cirurgia em uma criança enquanto a equipe dele filmava). Responderei que sim, realmente foi sensacionalismo e ele estava certo em fazer a cirurgia e filmar a situação. Se ele diz que é médico antes de jornalista, também devemos ponderar que uma função não excluí a outra e ele só chegou aquela situação por ser um repórter. A história era incrível demais para não ser contada. Se os críticos céticos não concordam com esses argumentos, peço que busquem na memória o nome do fotógrafo que se matou anos depois de ter feito a imagem de urubus se alimentando de uma criança na África. Ele não podia e nem tinha condições de ajudar a todas em situação semelhante, mas pelo menos aquela atormentou ele. Talvez somente àquela vítima ele devesse ter tentado ajudar. A lição dele é triste, mas ensinou que não existe jornalismo sem envolvimento e distanciado. É fato, o jornalismo se alimenta da dor dos outros. 
Nesta semana, fiquei muito intrigada com o sensacionalismo na cobertura da mídia mundial na tragédia do Haiti. Penso que respeitar a dor de um ser humano e fundamental em qualquer profissão, em primeiro lugar, considero que informar é uma coisa, explorar para ter ibope é outra coisa. Mas depois lembrei que os meios de comunicação sugam até a última gota de sangue e lágrima de um fato para ter audiência e depois, como um passe de mágica, simplesmente esquecem que ele existiu, não é? Lembramos de casos como Isabella Nardoni, João Helio, Eloá, Suzane Richthofen e tantos outros, te lembram alguma coisa? E por fim, considero que a imprensa mundial vai extrair até o ultimo fiapo de dor no Haiti é inaceitável, mas é desta maneira que eles consideram que seja Jornalismo.

11 comentários:

planetadablogueira.com disse...

Bem verdade a matéria...Infelizmente o que eles querem é um retorno financeiro, com a desgraça alheia!
Eu já não aguento mais ouvir falar na mesma coisa, sabemos da tragédia, mas explorar isso é o fim!!!
Muito boa a postagem amiga, te parabenizo!

Carol Knight disse...

A midia em si é sensacionalista. Pra eles só interessam o ganhar e ganhar, jamais o pensar no próximo realmente. Os Jornais só noticiam o que lhes convêm, os programas de tv só mostram o que vai dar audiência, enfim, tudo é puro sensacionalismo.
Na época da morte de Michael Jackson foi a mesma coisa, só falavam disso, agora na tragédia do Haiti a mesma coisa. Mas anted o que falavam de Michael?! Que ele era pedófilo, um mostro e coisa e tal. No Haiti sempre falavam que era um país que vivia em guerra, mas quase ninguém sabia da pobresa e miséria que viviam lá. Enfim, minha opinião sobre todo esse alvoroço em cima desse assunto é uma só: Marketing televisivo. Tudo na tv é feito para se ter o lucro e nunca para informar ou até ajudar de alguma maneira a quem precisa.

Leandro disse...

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Marcelo Leite disse...

Se torna até meio sensacionalista!
Fazero que? ^^
Belo blog, inteligente.

Lidia Ferreira disse...

meu direito começa aonde termina o seu , tambem me pergunto isso amiga ,onde está a linha que separa o jornalista do ser humano?
Amiga tem um selo para vc no meu blog
bjs

Ingrid disse...

eu realmente fico chocada e impressionada. é meio dificil entender que alguem seria capaz de si aproveitar de uma situação tão dolorosa para se autopromover. o pior é que agente não entende, mais existe !

Ingrid disse...

sim, depois tu visita meu blog ?
http://sonhodeblog.blogspot.com/

beijoooos

Fabio Bustamante disse...

Infelizmente sensacionalismo é sinônimo de jornalismo na atualidade. A mídia não respeita mais quem passa por uma tragédia. Agora ela está toda voltada para o Haiti. Isso vem aumentando nos últimos anos. Vale lembrar que nenhuma emissora falava muito do Haiti, até acontecer esta catástrofe. Isso só acontece porque as emissoras ganham audiência mostrando a dor. Isso já está ficando cada vez mais normal, infelizmente. Apesar de tudo, dias melhores virão para os haitianos, é só acreditar.

www.botecodohumor.blogspot.com

Leandro Ruiz disse...

Olá Jakeline estou retribuindo a tua visita e lhe dizer que fiquei muito grato por seguir meu bloge por ter gostado...
...belo blog este teu...
tenha uma ótima semana!
Leandro Ruiz

Katharine disse...

aa que bom *-* logo faço mais cenas e posto, tmb estou seguindo :*

Renata disse...

Sensacionalismo é o Fim!!