terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Alerta as Famílias Brasileiras

Depois de passar por uma situação traumática como o abuso sexual de um filho pelo próprio pai, uma mãe decidiu alertar outras famílias sobre esse tipo de crime. Para isso, ela lançou o livro Uma Chance para Lucas - a história real de um crime hediondo (Editora da Praça), em que conta sua história. Em suas próprias palavras, uma trajetória "cheia de sonhos, erros, acertos, e também de coragem".  Para preservar o filho, ela assinou o livro com o pseudônimo de Paula Belmanto e também trocou os nomes de todas as pessoas envolvidas, assim como as datas e nomes de cidades. Ela começa a história contando como conheceu Marcelo, o pai da criança, durante uma viagem, e decidiu ter um filho com ele. Divorciada e com um filho já adulto, ela queria novamente ter um bebê. Depois, ela mostra suas dúvidas em relação ao comportamento de Marcelo e a angústia quando descobriu o abuso pelo qual Lucas passou. Ao todo, foram cinco anos de batalha judicial, perícias psicológicas, laudos e conversas com assistentes sociais para que Paula pudesse, definitivamente, destituir Marcelo do poder familiar e suspender as visitas dele ao garoto. Eles nunca foram casados e nem moraram juntos. Nos trechos abaixo, ela fala sobre o que mais a ajudou a passar por tudo e também como outras mães podem proteger seus filhos. Confira. 
Decidi escrever porque eu estava num momento dificílimo, de muita pressão, muita indignação. Tinha prometido a Lucas que iria protegê-lo, mas tinha de levá-lo semanalmente para visitas monitoradas com o pai . Lucas foi ficando cada vez mais perturbado, assustado, urinando na cama, agredindo colegas na escola, sem noção de certo e errado. E ainda por cima, Marcelo tinha entrado com processo crime de calúnia contra mim! Eu estava tão mal, que nem trabalhar conseguia mais. Foi quando me sugeriram escrever. No começo foram desabafos, mas aí compreendi que precisaria me ordenar por dentro, tentar entender "como", "quando", "por que" tudo tinha acontecido. Defini um ponto de partida no tempo e segui em frente. Escrever esse livro foi um compromisso de verdade comigo mesma e que me fez muito bem. Amor. Muito amor pelo meu filho. E muita determinação. Um senso de responsabilidade espartano porque Lucas e o futuro dele dependiam de mim e de mais ninguém. Foquei no objetivo e fui até o fim. Minha família me ajudou, os poucos amigos que restaram também. Minha terapia foi fundamental, o trabalho, o próprio tempo. E principalmente a sentença do Poder Judiciário, protegendo Lucas. Pude cumprir minha promessa com ele e resgatar boa parte da culpa que senti por não ter percebido antes. Meu desejos é que o livro, com meus tantos erros e meus poucos e definitivos acertos, consiga de alguma forma ajudar alguma criança. O abuso sexual infantil já é um problema seriíssimo. E quando ele acontece dentro da família é ainda muito, muito mais doloroso e difícil de ser enfrentado. O livro é só uma humilde contribuição para que um dia a dignidade da criança possa ser uma realidade.  Os indícios que Marcelo deu foram vários, mas eu só descobri escrevendo o livro, ou depois que Lucas me contou. A última coisa que passa pela cabeça de uma mãe é que seu filho praticamente bebê sofra abusos sexuais do próprio pai. Com toda a informação que se tem hoje, isso ainda é "impensável" para pessoas minimamente saudáveis e civilizadas. Mas naquele tempo nem se falava em abuso sexual de crianças. Por parte de Lucas, os indícios que deu foi chorar e gritar de madrugada. Usar palavras que não faziam parte do vocabulário da casa, querer dar beijo de língua. Eu fui atrás para entender o que estava acontecendo. Fui me informar na escola, cheguei a mandar a empregada embora! Mas precisou o próprio Lucas, que mal falava direito, me contar e gesticular o que o pai vinha lhe fazendo! Afora o esforço sobre-humano para não explodir na frente do meu filho, na noite em que descobri o que aconteceu senti o mais completo e desconsolado desespero, uma revolta absurda! Eu teria feito qualquer coisa, qualquer uma para que ele nunca tivesse tido de passar por isso! Sensação de crime debaixo do meu teto. Culpa, vergonha e nojo indescritíveis. Vontade de quebrar tudo. Não dá mesmo pra descrever. Nem no livro eu consegui, porque não existem palavras. Passei aquela noite em claro e liguei para meu advogado às 8 horas da manhã. Lucas já é adolescente. Assiste televisão e sabe que não foi o único. Sabe também que existem muitas crianças passando por isso neste exato momento e se sente tranqüilo pela possibilidade de ajudar. Já me pediu para ler o livro algumas vezes, mas por mais que ele saiba toda a verdade, eu não deixo. Quero preservá-lo. Respondo que é um livro para adultos e que quando ele for adulto poderá ler.  O problema do abuso intrafamiliar pode e deve, sim, ser combatido. É uma questão gravíssima que compromete o desenvolvimento psíquico, social, afetivo e físico da criança e deve ser denunciado sempre, sob pena de se sacrificar todo o futuro da criança. Por isso é fundamental que as pessoas e as famílias tenham informação sobre o assunto e que o Estado aprimore a assistência judicial, psicológica e social às vítimas e suas famílias.  Antes de tudo, se informar o máximo possível. Ensinar aos filhos desde cedo que o corpinho deles é deles. Estar atenta a mudanças de humor. No mais, cultivar o ingrediente mais simples e principal de todos: o amor. Amor envolve relação de confiança, de afeto com a criança. Crianças abusadas quase sempre são também ameaçadas, sentem culpa. Uma relação afetiva estreita com um adulto que a ame muito e em quem ela confie facilita muito.A lei com certeza está mais dura, sim. Antes, bolinar crianças não era tipificado como crime. Hoje qualquer forma de assédio de crianças para fins libidinosos é crime previsto em lei. Material pornográfico envolvendo crianças pela Internet também. Esses são avanços importantes. E a conscientização gradual da população está fazendo com que a sociedade vá destapando olhos e ouvidos, vá rompendo o véu do silêncio e enfrentando aos poucos a situação. Isso é fundamental. Paula Belmanto
Fonte: Crescer 

6 comentários:

Sonho de uma Flauta disse...

Nossa chega me dar arrepior. Abuso Sexual é algo nojento, ainda mais com crianças que são totalmente indefesas, e praticadas pelo próprio pai, Jesus msmo tenha misericórdia deste cidadão. Nós temos msmo que estar alerta referente a isto. O meu irmãozinho estava sofrendo abuso por parte dos coleguinhas na escola, e vinha apresentando atitudes que são estranhas a uma criança...Ele se esfregava na gnt e dizia: ai q gostoso...Como ele confia mto em mim ele me contou na maior inocência, achando q o que o coleguinha fazia com ele era algo normal. Como meu irmão tem medo da minha mão, que é mto nervosa, ele não contou pra ela, como a escritora diz, é com mto amor msmo, calma, paciência q a gnt descobre. De pouquinho em pouquinho ele me contou, e descobrimos que o coleguinha dele sofria abuso.

Deve estar atento, pqr as criançãs deixam sinais.

Abraços, ótimo assunto a ser abordado.

Angel disse...

Jakeline, alguns assuntos devem ser discutidos sempre, para que nunca sejam esquecidos. Este é um deles. Qualquer ser humano com um mínimo de caráter achará absurdo um ato como este. Abusar de uma criança, de um inocente que não sabe, sequer, o que está acontecendo, destruir uma vida, não tenho outra palavra para descrever... É absurdo.

Vi hoje uma campanha incentivando as escolas a abordarem este assunto com as crianças, tentar ensinar à elas o que é e não permitir que aconteça, falar. Extremamente válido. Mas, e os pais? E as mães que fingem não ver por "amor" aos seus parceiros? Acho-as tão doentes quanto, e devem sofrer as consequências igualmente. Mas, como previnir?

Que difícil... Me doi pensar que, neste exato momento, uma criança pode estar passando por isso...

Leandro Ruiz disse...

Cara Jakeline
Boa noite!!!!
Infelizmente ainda temos que nos deparar quase que diariamente com notícias desse gênero...as vezes me pergunto até quando continuará acontecendo isso? Quando que as pessoas vão ter um pouquinho de Deus no coração?
Shalon!!!
Leandro Ruiz

Lidia Ferreira disse...

Mãe e mãe pai pode ser qualquer um
A força de um mãe guerreira e capaz de enfrentar tudo
Adorei o texto amiga
bjs

Naldinho Carvalho disse...

simplesmente amei o post!!
Você está de parabens!!

Muito boa escolha!!
(Eu tbm tenho um Blog, é novo...ta em construção, mas ja tem alguns posts, visita lá: http://dinhocarvalho.blogspot.com )

Roseli Venancio Pedroso disse...

Assunto cada vez mais discutido e acho bem válido isso pois é um tema seríssimo. Valeu a dica Jakeline. Como sempre, é bom demais passar por aqui.
Bjs