terça-feira, 6 de abril de 2010

Quase - Luís Fernando Verissímo

"Ainda pior que a convicção do não é a incerteza do talvez, é a desilusão de um quase. É o quase que me incomoda, que me entristece, que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi. Quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu está vivo, quem quase amou não amou. Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono. Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor, está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos "Bom dia", quase que sussurrados. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são. Se a virtude estivesse mesmo no meio termo, o mar não teria ondas, os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza. O nada não ilumina, não inspira, não aflige nem acalma, apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si. Não é que fé mova montanhas, nem que todas as estrelas estejam ao alcance, para as coisas que não podem ser mudadas resta-nos somente paciência porém, preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer. Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu."




Luís Fernando Verissímo escreveu perfeitamente estas lindas linhas, já li  umas 20 vezes, combina muito comigo, e com meus pensamentos, os quais gritam por liberdade, liberdade de expressão, vontade de viver de forma diferente de todas as outras pessoas.... Não aceito derrotas, porém, quando acontece sei que é porque algo melhor virá pra mim... Não gosto de nada pela metade, não suporto viver algo incompleto, ou É ou não é, tem que ser assim, é melhor viver intensamente, loucamente, do que viver por viver... Vamos viver verdadeiramente, sentir que estamos vivos em nossas atitudes, aproveitar cada dia como se fosse último, porque a única certeza que temos na vida, é que iremos morrer, por isso, sinto tanta vontade de aproveitar a VIDA, tenho sede de vida....

3 comentários:

Luciana P. disse...

Adoro este texto do Veríssimo. Detesto essa coisa do quase. Pior é que muitas vezes nos deixamos levar pelo comodismo e quase conseguimos realizar os sonhos. Muito bom o seu post. Beijos!

Dora Regina disse...

Jake, o "quase" faz parte do dia a dia da vida do ser humano, particularmente não gosto desse termo, "ou é ou não é", porém, nem sempre podemos nos ver livre dele.
Um abraço carinhoso!

Silvia C. Barbosa disse...

Menina esse quase é um lugar, que venho lutando pra sair.

Adorei a postagem, como sempre!

Beijos