quarta-feira, 27 de julho de 2011

A diva do exagero - Rute Guedes

Apesar da vida escandalosa marcada pelo consumo desenfreado de álcool e drogas, Amy Winehouse significou um sopro de renovação no modorrento mundo pop.
Rehab , termo em inglês usado para reabilitação, no caso de dependência em álcool e outras drogas, foi o hit que lançou a cantora inglesa Amy Winehouse para o mundo, em 2006. A voz exótica e potente - que deslizava entre a música negra americana, o jazz e o pop rock - espalhou-se logo pelo planeta, fazendo de Amy um fenômeno que deu frescor e inspiração ao modorrento cenário da indústria pop.
Entre estrelas pasteurizadas do rhythm and blues dos EUA, loiras desafinadas e a música dance insossa das boates, a cantora, mais do que preencher uma lacuna, construiu um espaço com sua personalidade musical única. Para o bem e para o mal, sua vida pessoal atribulada sempre fez parte do show.

De origem judaica, nascida em um subúrbio de Londres, a inglesa franzina de olhos verdes ouvia jazz por tabela ainda criança, graças à influência do pai taxista e da mãe farmacêutica. O interesse pela música se manifestou logo e aos dez anos ela montou um grupinho de rap.

Na escola, era uma estudante sem boas notas e que, segundo uma diretora, manifestava "problemas com autoridade". Seu canto continuou sendo lapidado até ela se tornar figura profissional da noite londrina, cantando jazz aos 16 anos.

Em 2003, aos 20 anos, consegue lançar seu primeiro disco, Frank , que vendeu 300 mil cópias e atiçou a crítica. Porém, foi com Back to Black , de 2006, que a moça ganhou fama e reconhecimento. O disco levou cinco Grammys, premiação considerada o Oscar da música, e vendeu 10 milhões de cópias em 2007, impulsionado pelo hit Rehab .

Irreverente, a música fazia ironia de seu próprio estilo de vida. O uso de drogas, além do álcool, não era escondido pela jovem. Ao contrário, era tão explícito que parecia peça de marketing para evocar o interesse da mídia, na linha sexo, drogas e rock'n' roll.


Inspirações
Para além dos muitos escândalos, suas letras - Amy era compositora da maioria de suas canções - eram inspiradas em experiências próprias. A voz quente - bem dotada e afinada tanto pela técnica quanto pela boemia - encantava diversos tipos de público. Tudo isso era veículo para traduzir emoções, coisa rara no mercado, e fazia dela uma artista genuína.

O público reconheceu e aplaudiu seu talento, sua aversão ao senso comum e suas rimas espirituosas, com declarações esparramadas a amores perdidos ou rancores cultivados com lágrimas. Sem medo de exageros.

Não por acaso, Amy Winehouse foi associada a nomes consagrados como Billie Holiday, cantora negra norte-americana que viveu na primeira metade do século 20, cantando blues e jazz em tons confessionais. A roqueira Janis Joplin, no final dos anos 60, entrou para a história com uma mistura de rock, country, folk e blues, com um vozeirão que ecoava muito de sua vida pessoal. Outro mito que é referência na carreira de Amy é Aretha Franklin, de 68 anos, um dos principais trunfos da Motown.

A gravadora norte-americana nos anos 60 e 70 especializou-se em música negra, com ritmos como R&B (rhythm and blues), jazz, gospel e soul music, expressão que, segundo alguns críticos, pode ser uma mistura dos dois anteriores com a música pop branca ou simplesmente uma definição que abarca a música negra em geral.

Os primeiros produtores de Amy, claro, perceberam esses potenciais, principalmente depois do primeiro disco, Frank. O mercado, carente de novidades, abraçou o pote de ouro vestido com roupas decotadas e cabelão arrumado em um coque gigantesco, à moda das cantoras negras dos anos 60. O corpo miúdo repleto de tatuagens dava o toque punk. O arremate era dado pelos olhos marcados por muita sombra preta e a boca vermelha - o batom desbotava com os goles constantes que ela costuma dar durante os shows. O visual virou fetiche dos editoriais de moda e foi copiados nas ruas. Embora não fosse uma beldade, era evidente que ela sabia do apelo de sua imagem.

Logo vieram outras cantoras que tinham um repertório que, se não era o mesmo, definitivamente poderia ser agrupado em prateleiras próximas. Variações como a saudável e alegre Joss Stone ou a nostálgica Duffy, com um visual chique e comportado. Sem desmerecer uma ou outra, não é por acaso que as cantoras brancas e jovens de voz forte e com o balanço soul de artistas negras fizeram sucesso. A mais nova sensação é Adele, também inglesa.

3 comentários:

Mesa Bar disse...

Era previsível... tristemente previsível!

mfc disse...

O comentário de cima (Mesa Bar) é meu...
Aquele blog é de alunos meus!

Jakeline Magna disse...

Agradeço o comentário...